segunda-feira, 27 de junho de 2016

Corpúsculos de Heinz

 

Esta alteração morfológica na superfície da membrana da hemácia representa a desnaturação irreversível da hemoglobina. Alguns autores a descrevem como semelhante a um "nariz de palhaço" pelo seu formato arredondado e proeminente. A desnaturação oxidativa da molécula de hemoglobina ocorre em cerca de 1 - 2 % das hemácias de felinos normais devido ao fato de conter maior quantidade de radicais sulfidrila reativos. A observação dos Corpúsculos de Heinz pode ser feita em lâminas coradas com Giemsa (lado esquerdo) ou mesmo empregando-se  o Novo azul de Metileno ( Lado direito) com o qual adquire a coloração azulada.  Nos cães aparecem como pequenas projeções que podem ser múltiplas e nos gatos como única e grande estrutura. As causas da formação dos corpúsculos são geralmente relacionadas a intoxicação por determinadas substâncias como benzocaína, propofol, alho, cebola, acetominofen e anti-sépticos de vias urinárias. Outros distúrbios associados a sua formação nos gatos são diabetes melito, hipertireiodismo e linfoma. A importância clínica do achado de corpúsculos de Heinz no hemograma está na possibilidade do paciente desenvolver quadro hemolítico grave.

terça-feira, 17 de maio de 2016

ANÁLISE DE EFUSÕES


      A coleta de efusão é recomendada em situações de acúmulo excessivo de líquido nas cavidades corpóreas tanto como medida terapêutica como para o diagnóstico da enfermidade a originou. O desequilíbrio na movimentação dos fluidos é determinado por alteração nas forças que mantém a quantidades constantes de líquido entre as estruturas cavitárias. De maneira a tornar a compreensão da interação entre forças de filtração e reabsorção dos líquidos mais fácil são identificadas quatro circunstâncias determinantes que geram o acúmulo patológico de líquido nas cavidades serosas estas são: a diminuição pressão oncótica do plasma, elevação da pressão hidrostática dos capilares sanguíneos, por aumento da permeabilidade capilar ou redução da capacidade de drenagem dos capilares linfáticos são as circunstâncias
Causas de diminuição da concentração das proteínas plasmáticas incluem deficiências nutricionais severas, insuficiência hepática, distúrbios gastroentéricos, perda de proteínas por glomerulopatias e queimadura graves.  Neste caso basta fazer os seguintes questionamentos o animal não come? O animal não absorve? O animal não sintetiza? Ou o animal está perdendo proteína? Ele com certeza irá se encaixar em algum ou mais destes se a causa da efusão for hipoproteinemia.
O aumento da pressão hidrostática capilar pode ser resultado de insuficiência cardíaca congestiva, cardiomiopatias, compressão de vasos por neoplasias, trombose pulmonar e inflamação.
O acúmulo de líquidos nos tecidos por elevação da permeabilidade secundária à reações alérgicas mediada pela histamina resulta no extravasamento de proteínas para o interstício que aumenta da pressão coloidosmótica intersticial com consequentes acúmulo de líquido no tecido.
O último mecanismo, a obstrução linfática, diminui o retorno do líquido para a circulação e leva ao acúmulo de proteínas nos tecidos o que resulta em aumento gradual e contínuo de líquidos no interstício. As causas são lesões em vasos linfáticos por traumatismo, processos inflamatórios, neoplasia primárias (linfoma ou timoma) ou secundária a metástases de outros tecidos, abcessos que resultem em compressão dos vasos linfáticos, parasitas (microfilárias) e procedimentos cirúrgicos de remoção da cadeia linfática.
A classificação da efusão cavitária em transudato, transudato modificado ou exsudato é baseada em características físicas, químicas e citológicas que permitem a identificação do processo fisiopatológico que lhe deu origem e desta maneira possui grande valor diagnóstico.

sábado, 16 de abril de 2016

PRIMEIRA IDENTIFICAÇÃO DE LEISHMANIA (LEISHMANIA) INFANTUM CHAGASI EM SECREÇÃO MAMÁRIA CANINA

PRIMEIRA IDENTIFICAÇÃO DE LEISHMANIA (LEISHMANIA) INFANTUM CHAGASI EM SECREÇÃO MAMÁRIA CANINA
http://www.cbpv.org.br/congressos/parasitologia_2014_anais_online/trabalhos/trabalho_1777.html


terça-feira, 12 de abril de 2016

Por que as hemácias estão em rouleaux ?

Por que as hemácias estão em rouleaux ?

Alguns veterinários já devem ter reparado numa palavrinha bem comum e que quase todo animal apresenta em seu laudo de hemograma, o rouleaux. O termo rouleaux leva esse nome devido a conformação que os eritrócitos se dispõe no esfregaço sanguíneo lembrando uma pilhas de moedas. Algumas espécies apresentam maior tendência a agregação outras menos, todavia qualquer paciente animal é passível de demonstrar tal alteração. O princípio básico para a formação de rouleaux está na carga elétrica da superfície das hemácias e a interação desta com a carga elétrica das proteínas presentes no plasma sanguíneo. As hemácias possuem carga negativa em sua superfície que faz com que tenham a propriedade de se repelir, este fenômeno leva o nome de potencial zeta. O que pode levar a pensar porque afinal elas ficam enfileiradas, todas juntinhas parecendo uma fila indiana? Uma das hipóteses mais aceitas é que as proteínas presentes no plasma são carregadas positivamente, globulinas mais até que a albumina, e estas são capazes de neutralizar a carga negativa da superfície das hemácias fazendo-as ficar cada vez mais próximas umas das outras. Nos equinos a formação de rouleaux é facilmente observada pois a superfície das hemácias desta espécie é fracamente carregada de cargas negativas, ou seja, são neutralizadas com maior facilidade do que as hemácias de outras espécies. Existe ainda a possibilidade de formação de rouleaux relacionada a enfermidades de caráter inflamatório quando há elevação de imunoglobulinas ou fibrinogênio. Caso o seu paciente não seja um equídeo, que já são naturalmente propensos a este fenômeno, é importante investigar com cautela a razão que levou a demonstrar a formação do rouleaux. 


Formação de rouleaux em esfregaço sanguíneo de anta. Coloração de Panótico. Objetiva de 100x.