segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Evitando erros pré-analíticos

Evitando erros pré-analíticos 

       O resultado correto dos exames laboratoriais dependem do controle de três tipos de variáveis: as pré analíticas, as analíticas e as pós analíticas. A fase pré analítica consiste na preparação do paciente, na escolha do recipiente no qual a amostra será encaminhada e de que maneira esse material tem que ser armazenado até sua análise. A fase analítica corresponde à etapa de execução do teste propriamente dita. A fase pós analítica inicia-se no laboratório e envolve os processos de liberação de laudos, encerrando-se após o médico receber o resultado final, interpretá-lo e tomar sua decisão.
       Quando avaliados os cuidados com a amostra na fase pré analitica , ou seja que ocorre antes do processamento, estamos nos referindo desde a seleção do exame que será realizado, como paciente será preparado para a coleta, identificação correta do material ( nome do animal e proprietário) e acondicionamento desta amostra. 
       A padronização dos métodos de coleta e manuseio de amostras biológicas é a maneira com que o médico veterinário pode diminuir os erros na fase de pré analise que são responsáveis por aproximadamente 70 % dos problemas com resultados dos exames laboratoriais.
      Fatores como Jejum, exercícios e relacionados estado de estress e medo podem alterar a análises de química sérica e avaliação hematológica de muitos pacientes animais.
      Um exemplo comum é de quando o animal é submetido a exercícios e coleta-se logo após seu sangue para análise. O hematócrito apresenta-se elevado, principalmente naqueles que apresentam maior resposta a esplenocontração. Os animais muito agitados pode também liberar epinefrina e os níveis elevados desse hormônio acarretam na elevação dos níveis séricos de glicose e alterações no leucograma, nestes casos caracteriza-se pelo aumento numérico de linfócitos e neutrófilos circulantes.
      Em outras situações quando a presença de corticóides exógenos ou endógenos, na corrente sanguínea é observado frequentemente o "leucograma de estress" sendo notado neutrofilia madura com linfopenia e eosinopenia. A administração de glicocorticóides pode alterar a contagem total e diferencial. A bioquímica sérica é comprometida por aumento de enzimas dosadas para avaliação hepática como aa Fosfatase alcalina sérica e a Alanina amino transferase. A administração prolongada de corticosteóides interferem no catabolismo protéico o que pode alterar os níveis de uréia circulante.
       O jejum é indicado para os principais exames, o hemograma e testes bioquímicos são exemplos comuns. O paciente deve ficar de jejum de 8 a 10 horas para que seja evitado o envio de amostras que apresentem lipemia. as amostras lipêmicas possuem níveis elevados de glicose e lipídeos. A análise dessas amostra é mais difícil, necessitando muitas vezes de diluição e provocam elevação da atividade de enzimas como a Ast, lactato dessidrogenase e bilirrubinas, além de predispor a hemólise in vitro.  
       Saber selecionar o local adequado para coleta, a identificação, o acondicionamento e armazento são de responsabilidade do clínico até as amostras sejam encaminhadas ao laboratório. A coleta de sangue na maioria das espécie se faz pela veia jugular por exemplo. Na identificação deve sempre constar nome do proprietário, do paciente e informações que identifiquem a clínica veterinária solicitante. O tipo de anticoagulante utilizar na amostra sanguínea depende  do teste que será solicitado, existem basicamente quatro tipos de anticogulantes: EDTA, heparina, fluoreto e citrato . O manuseio da amostra sanguínea deve ser cauteloso visando a prevenção de hemólise,  uma vez que substâncias presentes no plasma ou soro estão presentes em maior concentração dentro das hemácias.
       A conservação da amostra depende muito do tipo de análise que será realizada. Os exames que devem ser conservados a temperatura de a 4-8 graus como a análise  hematológica deve ser efetuada em até três horas a partir da coleta, a maioria das análise quimicas são estáveis  por três dias ( desde que o soro seja separado), a dosagem de glicose plasmática conservada em fluoreto pode ser realizada em até 8 horas. A análise de amostras como líquidos cavitários, líquido celaforraquidiano e urina devem ser realizados o mais rápido possível, uma exceção para amostras urinárias refrigeradas e protegidas da luz que podem ser analisadas em até 6 horas. 


Referência Bibliográfica 
Guimarães, A. C.; Wolfart, M.; Brisolara, M. L. L.; Dani, C. O Laboratório clínico e os erros pré-analíticos. Revista Hospital de Clínica de Porto Alegre. ed 31, p.66-72, 2011. 
Meyer, D. J.; Coles, E. H. Rich, L. J. Medicina Laboratorial Veterinária- Interpretação e diagnóstico. São Paulo:Roca, 1995.
Kerr, M. G. Exames Laboratoriais em Medicina Veterinária. São Paulo: Roca, 2003.