terça-feira, 17 de maio de 2016

ANÁLISE DE EFUSÕES


      A coleta de efusão é recomendada em situações de acúmulo excessivo de líquido nas cavidades corpóreas tanto como medida terapêutica como para o diagnóstico da enfermidade a originou. O desequilíbrio na movimentação dos fluidos é determinado por alteração nas forças que mantém a quantidades constantes de líquido entre as estruturas cavitárias. De maneira a tornar a compreensão da interação entre forças de filtração e reabsorção dos líquidos mais fácil são identificadas quatro circunstâncias determinantes que geram o acúmulo patológico de líquido nas cavidades serosas estas são: a diminuição pressão oncótica do plasma, elevação da pressão hidrostática dos capilares sanguíneos, por aumento da permeabilidade capilar ou redução da capacidade de drenagem dos capilares linfáticos são as circunstâncias
Causas de diminuição da concentração das proteínas plasmáticas incluem deficiências nutricionais severas, insuficiência hepática, distúrbios gastroentéricos, perda de proteínas por glomerulopatias e queimadura graves.  Neste caso basta fazer os seguintes questionamentos o animal não come? O animal não absorve? O animal não sintetiza? Ou o animal está perdendo proteína? Ele com certeza irá se encaixar em algum ou mais destes se a causa da efusão for hipoproteinemia.
O aumento da pressão hidrostática capilar pode ser resultado de insuficiência cardíaca congestiva, cardiomiopatias, compressão de vasos por neoplasias, trombose pulmonar e inflamação.
O acúmulo de líquidos nos tecidos por elevação da permeabilidade secundária à reações alérgicas mediada pela histamina resulta no extravasamento de proteínas para o interstício que aumenta da pressão coloidosmótica intersticial com consequentes acúmulo de líquido no tecido.
O último mecanismo, a obstrução linfática, diminui o retorno do líquido para a circulação e leva ao acúmulo de proteínas nos tecidos o que resulta em aumento gradual e contínuo de líquidos no interstício. As causas são lesões em vasos linfáticos por traumatismo, processos inflamatórios, neoplasia primárias (linfoma ou timoma) ou secundária a metástases de outros tecidos, abcessos que resultem em compressão dos vasos linfáticos, parasitas (microfilárias) e procedimentos cirúrgicos de remoção da cadeia linfática.
A classificação da efusão cavitária em transudato, transudato modificado ou exsudato é baseada em características físicas, químicas e citológicas que permitem a identificação do processo fisiopatológico que lhe deu origem e desta maneira possui grande valor diagnóstico.

sábado, 16 de abril de 2016

PRIMEIRA IDENTIFICAÇÃO DE LEISHMANIA (LEISHMANIA) INFANTUM CHAGASI EM SECREÇÃO MAMÁRIA CANINA

PRIMEIRA IDENTIFICAÇÃO DE LEISHMANIA (LEISHMANIA) INFANTUM CHAGASI EM SECREÇÃO MAMÁRIA CANINA
http://www.cbpv.org.br/congressos/parasitologia_2014_anais_online/trabalhos/trabalho_1777.html


terça-feira, 12 de abril de 2016

Por que as hemácias estão em rouleaux ?

Alguns veterinários já devem ter reparado numa palavrinha bem comum e que quase todo animal apresenta em seu laudo de hemograma, o rouleaux. O termo rouleaux leva esse nome devido a conformação que os eritrócitos se dispõe no esfregaço sanguíneo lembrando uma pilhas de moedas. Algumas espécies apresentam maior tendência a agregação outras menos, todavia qualquer paciente animal é passível de demonstrar tal alteração. O princípio básico para a formação de rouleaux está na carga elétrica da superfície das hemácias e a interação desta com a carga elétrica das proteínas presentes no plasma sanguíneo. As hemácias possuem carga negativa em sua superfície que faz com que tenham a propriedade de se repelir, este fenômeno leva o nome de potencial zeta. O que pode levar a pensar porque afinal elas ficam enfileiradas, todas juntinhas parecendo uma fila indiana? Uma das hipóteses mais aceitas é que as proteínas presentes no plasma são carregadas positivamente, globulinas mais até que a albumina, e estas são capazes de neutralizar a carga negativa da superfície das hemácias fazendo-as ficar cada vez mais próximas umas das outras. Nos equinos a formação de rouleaux é facilmente observada pois a superfície das hemácias desta espécie é fracamente carregada de cargas negativas, ou seja, são neutralizadas com maior facilidade do que as hemácias de outras espécies. Existe ainda a possibilidade de formação de rouleaux relacionada a enfermidades de caráter inflamatório quando há elevação de imunoglobulinas ou fibrinogênio. Caso o seu paciente não seja um equídeo, que já são naturalmente propensos a este fenômeno, é importante investigar com cautela a razão que levou a demonstrar a formação do rouleaux.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

TODA TROMBOCITOPENIA É CAUSADA POR HEMOPARASITAS?

TODA TROMBOCITOPENIA É CAUSADA POR HEMOPARASITAS?

     A resposta com toda certeza é não. Um dos parâmetros hematológicos avaliados no hemograma é  contagem de plaquetas. Os resultados obtidos podem variar dependendo do de diversos fatores, mas quando falamos da análise laboratorial propriamente dita deve-se levar em consideração a técnica empregada. Alguns laboratórios utilizam técnicas diretas como a contagem em câmara de Newbauer ou analisador hematológico e indireta na avaliação do esfregaço sanguíneo.  A diminuição do valor da contagem de plaquetas abaixo da referência para a espécie indica trombocitopenia. Várias enfermidades são associadas aos mecanismos que levam ao consumo, diminuição da produção, destruição e seqüestro das plaquetas. Os hemoparasitas podem desencadear mais de um mecanismo diferentes como sequestro esplênico e lesão medular, todavia não devem ser encaradas como diagnóstico conclusivo nos pacientes trombocitopênicos.
     Trombocitopenia causada por diminuição da sua produção ocorrem por mielossupressão, pancitopenia idiopática, FIV, FELV,  doenças mieloproliferativas e por drogas imunossupressoras, como quimioterápicos, a fenilbutazona, sulfametoxazol-trimetropim, griseofulvina, cloranfenicol e o estrógenos.
     As causas do aumento da utilização das plaquetas são decorrentes de perda sanguínea, hemangiossarcoma,  septicemia, necrose maciça, coagulação intravascular  (CID), síndrome hemolítica urêmica e vasculite.
     O sequestro das plaquetas da circulação é observada principalmente na esplenomegalia. Outros órgãos responsáveis pelo sequestro são o fígado e os pulmões.
     O aumento da destruição das plaquetas ocorre por doenças infecciosas, como a erliquiose, a anemia infecciosa equina, leishmaniose, FIV, FELV, ou por trombocitpenia imunomediada, medicamentos e toxinas.
     A pseudotrombocitopenia, ou falsa trombocitopenia, ocorre por erros no procedimento de coleta e homogenização da amostra de sangue que causa a ativação e agregação de plaquetas, pelo tipo de anticoagulante utilizado ou pela presença de agregados plaquetários secundários a enfermidades.



quarta-feira, 7 de outubro de 2015

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Efeitos do excesso de EDTA na amostra sanguínea



terça-feira, 6 de outubro de 2015

Avaliação morfológica das células sanguíneas de coelho

Figura 1- Células sanguíneas de coelho. Panótico. Objetiva 100x.

Figura 2- Monócito em esfregaço sanguineo de coelho.Panótico. Objetiva 100x.

Figura 3- Três heterófilos e uma eosinófilo ( seta) em esfregaço sanguineo de coelho.Panótico. Objetiva 100x.

Figura 4-  Linfócito em esfregaço sanguineo de coelho.Panótico. Objetiva 100x.

Figura 5- Heterófilo em esfregaço sanguineo de coelho.Panótico. Objetiva 100x.

sábado, 26 de setembro de 2015

Células sanguíneas de Jabuti piranga ( Geochelone carbonaria)

Nossa querida colaboradora dessa semana foi a Jabuti Pretinha, trazida por Samira estagiária do laboratorio de Patologia, que após machucar o membro anterior esquerdo veio ao lab realizar exames para avaliar como anda sua saúde. 

Lâminas realizadas com a Coloração de Giemsa: Os eritrócitos nucleados maduros não estão marcados. Os linfócitos foram representados por setas azuis. Os trombócitos com setas vermelhas. Os heterófilos marcados com setas amarelas. Os monócitos estão com setas brancas. Basófilos são referenciados com setas verdes. Eritrócito imaturos policromatófilos estão com a seta laranja.
Lâmina corada pelo método de azul de cresil brilhante evidencia a presença de reticulócitos ( setas pretas).









quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Anemia microcítica em animais domésticos

ANEMIA MICROCÍTICAS EM ANIMAIS DOMÉSTICOS

MICROCYTIC ANEMIA IN DOMESTIC ANIMALS
ETIOLOGIA E DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Polliana Alves Franco, M.V. M.S.c. Ciência Animal - UFMS
VetAnalisa – Laboratório Veterinário
Rua Professor Severino Ramos de Queirós, 226.
Vila Glória. Campo Grande – MS
Contato: ( 67) 3201-6012 / 9244-9229


A anemia é um distúrbio hematológico caracterizado pela redução simultânea dos valores de volume globular (VG), número de eritrócitos circulantes e teor de hemoglobina. As principais causas estão correlacionadas com processos hemolíticos, perda sanguínea e hipo ou aplasia medular. De maneira didática são classificadas em microcíticas, normocíticas e macrocíticas, essa determinação vem da avaliação do Volume Corpuscular Médio (VCM) que tem relação direta com o tamanho das hemácias. A anemia de pacientes que apresentam valores de VCM abaixo dos observados para a referência da espécie são  denominadas como do tipo microcítica, ou seja, as hemácias apresentam   tamanho médio reduzido.  
                A teoria para que as hemácias produzidas pela medula óssea tornem-se menores é justificada pelo fato de que elas tem que carrear certo nível de hemoglobina no seu interior. No momento que a produção da molécula de hemoglobina é ineficiente há a indução de mitoses adicionais mantendo os níveis de hemoglobina de uma hemácia normocítica em um corpúsculo de menor tamanho.  A princípio esse mecanismo funciona porém com a progressão da doença observa-se que a Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM)  tende  a reduzir alterando a classificação a anemia microcítica normocrômica inicial  para  uma anemia microcítica hipocrômica.

Figura 1 – Esfregaço sanguíneo de cão apresentando microcitose e hipocromia. Coloração de Panótico. Objetiva 100x.

As causas primárias (TABELA 1) deste tipo específico de anemia são: a deficiência de ferro (Fe 2+), seja ela por deficiência nutricional, distrúrbio metabólico ou perda sanguínea.   O conhecimento das causas primárias permite gerar uma série de diagnósticos diferenciais que podem afetar os animais tais como as endoparasitoses, hemorragias crônicas, coagulopatias, anemia da inflamação, neoplasias e deficiências nutricionais.
A deficiência de ferro nutricional é inicialmente normocrômica e a medida que os estoques de ferro corpóreo vão reduzindo as hemácias microcíticas consequentemente serão produzidas. Como o leite contém pouco ferro os animais recém nascidos em fase de crescimento são mais predispostos a desenvolver anemia secundária a deficiência do mineral.
A anemia causada pela perda crônica de sangue é ocasionada pela deficiência do Fe 2+. O Ferro não é o único componente perdido capaz de influenciar no processo de anemia, porém é o que detém  papel principal. A perda sanguínea para o meio externo de modo crônico pode ocorrer tanto pelo trato gastrointestinal como pelo trato urinário. A reticulocitose pode estar presente até que haja depleção dos estoques de ferro.
A patogenia da anemia causada pela Doença Inflamatória Crônica (DIA) envolve mecanismos que alteram a sobrevida dos eritrócitos (elevação de IL-1 e lesões oxidativas), a diminuição da mobilização do Fe 2+ e hipoplasia da série eritrocitária. A sua ocorrência é comum nos mamíferos uma vez que está associada a doenças como neoplasias malignas, processos inflamatórios crônicos, infecções bacterianas, fúngicas e por protozoários, geralmente é normocítica normocrômica, mas pode progredir para a microcitose.
A anemia causada pela deficiência de Cobre em suínos e cães está relacionada ao transporte do Ferro. Quando há deficiência de Cobre existe menor atividade da oxidase férrica que diminui a absorção intestinal e diminui a liberação do ferro para fora dos macrófagos o que consequentemente o torna indisponível levando a síntese defeituosa da Hemoglobina.
O mecanismo causador da anemia em animais com Shunts portossistêmicos não foram totalmente esclarecidos, acredita-se que ocorra deficiência funcional do Fe 2+ decorrente do prejuízo na síntese de moléculas carreadoras secundária ao dano hepático.
 A Diseritropoese em cães da raça English Springer Spaniel é um distúrbio familiar de patogenia desconhecida que causa polimiopatia, megaesôfago, cardiopatia e anemia microcítica não regenerativa. A avaliação sanguínea desses animais revela rubricitose, esferocitose, codocitose, dacriocitose, esquizocitose e eritrócitos vacuolizados.
     Os achados laboratoriais observados no esfregaço sanguíneo incluem alterações morfológicas nas hemácias, além da microcitose, pois elas são mais propensas a danos estruturais. Ainda podem ser encontrados leptocitose, codocitose, hipocromia, anisocitose, poliquilócitose, hemácias fragmentadas (esquistócitos) e em alguns casos trombocitose.
A terapêutica nesses casos deve levar em consideração o diagnóstico etiológico primário, posto que a simples reposição do ferro perdido pode não ser suficiente para cessar o mecanismo pelo qual a anemia foi gerada. A transfusão sanguínea pode ser utilizada como medida a ser tomada em casos de urgência, porém os clínicos veterinários devem ter em mente que a anemia não é a causa e sim uma anormalidade secundária provocada por um distúrbio crônico importante que pode em alguns casos ter prognóstico desfavorável.

Tabela 1 – Principais causas de anemia microcítica normocrômica ou hipocrômica em animais domésticos.
·         Deficiência de ferro (semanas a meses)
· Hemorragia externa crônica (úlceras gastrointestinal e hematúria)
·         Deficiência de Cobre
·         Deficiência de vitamina B6 – piridoxona
·         Shunts porto sistêmico
·         Doença Inflamatória Crônica
·         Insuficiência hepática
·         Envenenamento por Molibdênio
·   Diseritropoese em cães da raça English Springer Spaniel







MICROCITOSE EM ANIMAIS NÃO ANÊMICOS

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Alguns cães da raça Akita e Shiba tem valores de VCM mais baixos que a referência estabelecida para a espécie canina que variando em torno de 50 a 60 fL. Outros cães de origem japonesa como Jindo, Chow chow e Sharpei podem apresentar hemácias com valores de volume médios inferiores aos valores de normalidade. Potros e filhotes de gatos possuem valores de VCM menores quando comparados aos animais de idade adulta.

Referência Bibliográfica


FLEISCHMAN, W. Anemia: Determining the Cause. Compendium: Continuing Education for Veterinarians. p. E1- E9. 2012.

GARCIA, C. Z., HERRERA, M. de S., JÚNIOR, J. M. F., ALMEIDA, M. F., RAMOS, M. H. F., SACCO, S. R. Anemia microcítica em pequenos animais. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Ano VI, n. 11. 2008.

HARVEY, J.W. Microcytic Anemias. In: FELDMAN, B.F.; ZINKL, J.G.; JAIN, N.C. Schalm’s Veterinary Hematology. 5.ed. Philadelphia: Lippincott Williams&Wilkins, p.200-204, 2000.

MEYER, D. J. , COLES, E. H., RICH, L. J. Medicina de Laboratório Veterinária. Primeira edição. São Paulo: Roca, p. 11 – 23. 1995.

SOETAN, K. O., OLAIYA, C. O., OYEWOLE, O. E. The importance of mineral elements for humans, domestic animals and plants: A review. African Journal of Food Science. Vol. 4(5) p. 200-222, 2010.

STOCKHAM, S. L. & SCOTT, M. A. Fundamentos de Patologia Clínica Veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2 ed. p. 90-186. 2008.

HEMATOLOGIA DO PORCO

Hemograma de porco doméstico A criação de pets não convencionais vem crescendo com o passar dos anos. Conforme o tempo vai passa...